sábado, 29 de novembro de 2008

Sabe aquela liberdade?


Sabe aquela liberdade das fotos,
daquelas de braços abertos,
que tiramos em um belo fundo qualquer?

Esta imagem que se repete em álbuns diversos,
por si só narra uma liberdade presa nas lacunas
de um gesto peculiarmente repetitivo.

Liberdade cerceada também
pelas mãos de quem tirará a foto,
que aguardará no tempo e espaço
a ordem que no mesmo em que aprisiona
é também aprisionada: "Pode tirar a foto!"
P.S.: Melhor isso do que nada!

Frases soltas, mas nem tanto!

A velhice é fantástica. Você começa a se machucar à toa.

Todo ser-humano pode ser humano se puder ser.

Antes da consciência vem a experiência.

Todo esforço para convencer é sempre um esforço para se convencer.

A dor repousa nas lágrimas!

Caminhando trôpega como se
num quebrado salto alto,
não pudesse se equilibrar.
Mas sua única preocupação era
o quanto da maquiagem havia se perdido
nas lágrimas que teria escondido.

Dizia-se feliz e a dias encarava noites a fio,
com um sorriso cínico e dentes marcados de batom.
Mas a maquiagem era seu calcanhar de Aquiles,
porque achando que se esconderia atrás dela,
foi exatamente no seu rosto maquiado que tive certeza
que aquelas marcas escorridas em seu rosto arredondado,
eram a prova da dor do laço que perdeu.

Que pena, gastou seus dias distraída com coisas fúteis,
ignorou o que de melhor tinha. Agora são apenas
lembranças vazias, que se desfizeram em seu rosto maquiado.

Só pode ser o café! (Como se fosse isso!)

Enquanto bebo uma xícara de café,
sentimentos afloram desesperados,
sem saber a razão do desespero,
apenas esperando que possam se diluir
no estimulante gole de café.
(Estimulante é fato, bebo para concorrer com meu desestímulo, casual!)

Talvez o problema está no tempo que dispenço para bebê-lo,
é o exato momento em que encontro pessoalmente
o eu, o isso e o acima disso,
e nisso percebo uma ambivalência tétrica,
que em desconforto se descontrola.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Promessas incertas!

É o mudo gritando
para vários surdos ouvirem,

É saber que não será ouvido,
porque se não foi ouvido
não foi falado.

Cruel mesmo é o presente,
que sempre prepara para o futuro
promessas incertas!

Caberá a nós.

O que tenho pra dizer
é que é melhor assim,
o nunca nunca é,
o sempre pode ser,
quem sabe apenas um
encontro nada mais,
mas caberá a nós,
saber o que se quer
sentir ou não-sentir
eternidade ou saudade!

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Porque somos histórias...

Não posso perder nada,
em sobriedade devo estar
pra colecionar histórias,
histórias minhas e suas.

Porque somos histórias, várias,
divertidas ou tristes ou ambas
e travamos ávidos por vivê-las todas.

Vivo cada história em cada momento
porque nelas não quero,
simplesmente sou, vivendo-as!

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Apenas remei!

Fumei cigarro com o palhaço,
urinei no muro com o papai noel,
falei de sexo selvagem com a freira,
fiz sexo selvagem com a virgem.

Apontei para o horizonte desconhecido,
e remei forte, remei sem olhar pra trás,
sem a fantasia de culpa da minha velha,
sem o olhar de desaprovação do meu velho.

Apenas remei! E curti a paisagem!

domingo, 23 de novembro de 2008

Os teus sinais...

Lançaste os teus sinais,
que me confundiram e espalharam
o gosto amargo do meu próprio medo.

Então dediquei-me a te compreender,
porque tive medo de encontrar a verdade
sobre os mares que desbravei.

Que de tanto, incerto
o certo mesmo é que sentia
o gosto doce do teu beijo.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

O amor é cego, e me faz refém!

Eu quis te libertar, dei asas e soprei,
para encobertar a dor de me prender,
fiz o tudo pra esquecer.

Sem preocupação te vi
se afastar de mim,
sem nada a dizer,
nada pude fazer,
pra ti ter de novo aqui.

Corro do que eu desejo,
o amor é cego,
Não enxerga bem,
e me faz refém,
do meu próprio Eu,
é tudo mistério!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Sentido ao sentido

Era preguiçoso, não pensava, apenas sentia.
Mesmo que o que sentisse não fizesse sentido.
Hoje sinto, penso e ajo.
Aproveito muito mais!

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Verdadeiramente simples

O teu abraço é a melhor escolha que faço quando estou do teu lado.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

O olhar do neurótico apaixonado.

Foi no olhar que tudo começou,
Era o exato espaço entre eu e ela.
Linda e graciosa se fazia. E os olhos,
eles a tornavam assim.
Talvez era a imagem, nem eu nem ela
Apenas a imagem, do que eu queria ver.

Nada escapa da análise!

Nossos sentimentos sempre dão um jeito,
de deslizar pelas palavras revelando-se,
das formas mais sutis e verdadeiras.

sábado, 8 de novembro de 2008

Felicidade guardada e escondida.

Abre a geladeira do obsessivo,
e encontrarás o ovo de chocolate da última páscoa.
Para o obsessivo, a felicidade só é possível
se for guardada e escondida!

Vai saber o que é puro!

Os sentimentos são tão puros,
quanto o ar que respiramos.
Falar o que sentimos é oferecer ao outro a própria pureza.
Mesmo que de puro não haja nada!
(Vai saber o que é puro!)

Medo de morrer

Descobri que não tenho medo da morte. Mas de morrer eu morro de medo!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Hahahaha!

Sujeitinho normal, 1,77. Mas não sabia sorrir.
Ou não enxergava razões para fazê-lo.
Cerrados que eram, apenas com muito esforço podia se ver seus dentes.
Amarelos escondiam sutilmente o que ninguém via.

E o que ninguém via é que ele não podia mais esconder,
Que seus dentes amarelos e cerrados não sabiam sorrir,
Ou não enxergava razões para fazê-lo.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

O que é isso?

O que é isso que nos une,
Que nos impulsiona a oferecer as mãos ao outro?

Que uni até
Os atos mais hostis,
Os cultos mais histéricos,
As causas menos nobres,
Os concertos musicais mais desconcertados.

Talvez tudo seja apenas um pretexto, que encontramos para nos unir.

Apenas sou!

Quem se não eu pra saber o que é melhor pra mim,
Os clichês - não me servem, apenas me desrespeitam.
As previsões - me limitam, dispenso.
Imposições - me impõem o desprezo,
Dizer o que não fui – se não fui não é, então é inútil dizer agora.

Quem sabe se você apenas não soltar minha mão,
Então já me sentirei muito amado,
E todo o abstrato perderá a importância,
Porque através dos teus olhos, apenas sou.