quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Talvez pela penúltima vez!

De longe te acariciava com meu olhar,
Escondia-me pra te proteger,
Do maior perigo que sou.

O antes de ti é difícil de lembrar
O depois de ti é vontade de esquecer.
Isso porque durante, com você, diz muito mais.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Lançado ao desconhecido!

Relutei o que pude,
fingi não saber do que falavam,
mas de tanto insistirem levianamente apareceu
um símbolo insolente do evanescimento.

Adormecido para o fato,
Imergiram-se inquietudes e incertezas jamais sentidas
Vi a vaidade atravessando minhas entranhas!

O que é isso em mim que não admite,
Que o que se gastou é o que já se viveu
E o que já se viveu simplesmente mudou?!

sábado, 25 de outubro de 2008

Rendo-me!

Rendo-me à responsabilidade
de que Sou as minhas escolhas.
Aceito esta condição que
tanto me liberta como me assusta!

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Vivendo a vida que não é minha!

Quando invisto meus pensamentos e energias na vida do outro,
é porque não encontro na minha vida razões para viver.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Comigo? Tá tudo bem!

Minha voz anasalada,
meus braços longos,
meu cabelo sem corte,
a calça que não fecha,
o calçado que aperta,
a unha que encrava
e o vento até me corta.
Comigo? Tá tudo bem!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

AmbiValente!

Cravo meus olhos no sangue e na dor
dos feridos e estirados ao chão,
Esforço-me para enxergar através dos ombros de muitos,
que como eu não sabem se estão tristes com o infortúnio alheio,
ou alegres por não serem os escolhidos da vez.

Mas certo mesmo é que sou (ambi)valente
e que não tenho certeza nenhuma!
Reside em mim uma dualidade,
que escondo para parecer "normal".

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

O espetáculo não pode parar.


O circo é o círculo da vida,
Onde revestimos de fantasias o querer,
Porque palhaços que somos num picadeiro,
Esperamos extasiados as palmas do respeitável público.

Desrespeitados pelo público
borramos a fantasia com lágrimas,
e fechamos as cortinas do que somos,
porque amanhã tem mais,
e o espetáculo não pode parar.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Senhor, faça-me puro!

Senhor, busco a ti porque busco a mim,
Quero entender-te para que possa entender-me.
Senhor, faça-me puro,
mas não ainda!

domingo, 5 de outubro de 2008

O Desencontro...

Penso nos que (des)encontro,
lembro vagamente sobre o que falaram.
Falo, falo, falo...
Entro cheio, esvazio e saio,
Pensando bem,
nem vagamente lembro sobre o que falaram.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Parto!

Parto. Mas não reparto de onde parto. Sou o todo.
Depois parto e aborto o que não reparto. Sou apenas parte do todo.
Parto de novo, mas reparto do que não faço parte.
No final aborto-me das partes ao todo!

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Neurose grupal!

Numa sala repleta de espelhos
busco as formas que me informam,
porque aceito o que admiro em mim.
Mas renego as formas que me deformam,
porque não aceito o que não admito em mim.

domingo, 28 de setembro de 2008

A felicidade que me encontre! (Doce ilusão)

Espero gélido, pálido e inócuo o que me espera,
A espera que se faz gélida, pálida e inócua.
Porque sei que se espero por ela, ela me encontra.

Não faço nada, não mudo nada, não penso em nada,
porque o que eu quero independente do que aconteça
é que a felicidade me encontre
aqui na 1950 esquina com a terceira avenida,
mas venha rápido porque já estou morrendo de frio.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Construi os meus próprios castelos... Mas destruí todos.


Idealizei o outro à imagem do que eu queria,
criei expectativas, fiz planos e tive sonhos,
mas quando olhei mais atentamente:
não foi este o castelo que construí!

O mesmo olhar que idealizava, destruía.
Parei um pouco, pensei um pouco e percebi:
Fui eu que construí e destruí meus próprios castelos,
Pois frágeis e vulneráveis como eu,
Não puderam suportar
as ondas constantes do meu próprio olhar.


domingo, 21 de setembro de 2008

Meu olhar persiste em me encontrar onde não estou...

Não estou no copo do líquido inebriante,
Não estou nos olhos do que desejo,
Não estou nos livros, nas canções, nas artes,
São sempre partes de mim, mas nunca o todo...

Devoro com intensidade, destruo raivoso, absorvo interessado, contenho-me calmamente... Passa um tempo e mais uma vez desloco o meu desejo onde não estarei.
É quando percebo que aquilo que desejo me cega.

Como posso enchergar-me se a cada dia que vivo
percebo-me fugitivo de minha própria angústia?
Talvez porque através de minha própria angústia,
descubra como posso ser livre a cada dia que vivo.